Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.

sábado, 26 de julho de 2014

Por tanto amor, por tanta emoção.

Eu não tive uma família de verdade, sem desvalorizar o que a minha mãe me deu (que foi com certeza o melhor que ela pôde fazer), eu não fiz parte de uma família de verdade. Não tive almoços com meus pais e irmãos, jantares regados a discussões de como foi o nosso dia, abraços amorosos, mãe com tempo para me educar, pai que se importasse comigo e com o que eu estava me metendo. Me criei sozinha, minha irmã também, observando atenta os outros, vendo o que era bom ou nem tanto, tentando não fazer parte das coisas que julgo errada, criando opinião, ouvindo música, conversando, lendo, as vezes acho que não sou uma pessoa, sou um personagem bizarro de algum livro ou música, as vezes acho que não sou muito humana, demasiadamente humana, com sentimentos e visões humanas. Exergo as coisas de uma maneira estranha, me enxergo de uma maneira tão fria, não sinto pena de mim mesma e quase sempre me comovo com dores alheias, desvalorizo os meus sentimentos e levo muito a sério o sentimento e palavras alheias. Certa vez li que pessoas que não tiveram amor, são assim esquisitas, todo mundo precisa de muito amor para se tornar um pessoa, eu não tive, me tornei isso. Meu pai não gosta de mim e tudo bem por isso, sinto inveja de pessoas que vão aos jogos com seu pai, que viajam com ele, têm relacionamento, contato, amor, cumplicidade. Eu não tenho isso, sinto raiva, rancor, vergonha, tristeza, tenho desejo de nunca mais o ver, ouvir a sua voz, saber que existe, quero toda a distancia possível, quero que ele desapareça da minha atmosfera, me deixe em paz. Não me entenda mal, mas existem pessoas que tiram tanto de você, que abusam tanto do seu amor e psicológico, que a unica maneira de sobreviver a isso, é ficar bem distante. E se um dia eu formar na faculdade, ele não sera convidado, não suportaria ver a sua cara de orgulho, como se ele tivesse um dia feito algo para eu me tornar uma pessoa admirável e respeitável. E se eu casar, ele não sera convidado para a festa e quem me conduzirá ao altar será o Cristiano, que é meu amigo, irmão, cúmplice, amor e homem da minha vida. Minha avó não foi a melhor que poderia ter sido, nem meus tios(a) ou primos, todos tiraram algo de mim, seja humilhando, tratando mal ou ignorando. Mas nem tudo é ruim, sempre tive muitos amigos, que duraram em média 2 anos e depois novos o substituíram, tenho dificuldade em manter contato, em gostar, em ser gostada, não me acho alguém capaz de despertar sentimentos bons em alguma pessoa (Sempre penso que se nem o meu pai me amou, como alguém da rua que acabou de me conhecer pode me amar?), não me acho amável, então sempre lido com as pessoas esperando e sabendo que um dia elas irão embora e elas de fato, sempre vão. E eu não faco nada para impedir, não procuro, não peco, apenas ignoro e sigo a vida. As vezes sinto falta de pessoas que foram embora há muito tempo atras, mas logo rio disso, não posso me dar o luxo de sentir saudades, não posso me dar ao luxo de achar que sou alguém gostável, não posso me dar o luxo de ter sentimentos, para alguém como eu, é perigoso demais. Prefiro ser outra pessoa, pra manter o meu coração longe, não fiz por mal, fiz por loucura (talvez?), por medo de envolver, de ser humana, de viver a vida e me abrir ao mundo, fugir, esconder não é o certo, mas julgar o que você não viveu ou entende também não é. Tem momentos que desejo uma vida normal, eu rezo toda noite, gosto de sentir que existe algo além disso tudo, que existe proposito em tudo que vivi e ainda vou viver, de pensar que alguém esta cuidando de mim e do meu futuro, me sinto especial e importante. Então eu rezo e mesmo sem querer ou admitir, eu peço amor. Amor careta, brega, pegajoso, lindo, romântico. Amor Bethania e Chico. Peço que um dia, alguma pessoa vinda direto dos meu sonhos, me salve desse vazio. Peço, meio incrédula e rindo de achar que terei essas coisas, mas peço que um dia, alguém me ame. Tenho tantos desejos profissionais, pessoais e entre tanta coisa, tem espaço para querer amor. Não, eu não acredito que amor existe, pelo menos não pra mim. Não acredito que serei amada, mas não é pra Deus que a gente pede o impossível? Então faço a minha parte. Quero uma família, filhos, marido e barulho em casa (minha mãe trabalhava de noite, então de dia a gente sempre tinha que fazer silencio para ela dormir), quero acordar de manhã com crianças na cama, vozinhas fofinhas dizendo que me amam, ver um homem sendo pai e fazendo isso com amor e respeito, ver um homem batendo na minha cara com o amor e a paternidade que ele exerce tão bem. Quero tanto amor, tanto amor de família, de marido, de filhos, que meu coração doi de pensar que talvez não terei. Quero um casalzinho que dança peladinho antes de tomar banho e antes disso, quero ganhar o mundo, conhecer muitos lugares e ser muito amada e desejada. Parece clichê, mas no fundo, por baixo da loucura, bebedeira, merdas feitas e faladas, eu só quero mesmo que um dia, um amor bonito me cure, me cuide e me salve. Me perdoa por ter te envolvido nisso, eu não sei onde estava com a cabeça, mas era tão fácil e lindo, tão a disposição, me perdoa, por pecar na vontade de ter um amor de verdade. Eu acho que amo você.

Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.