Antes eu adorava ler os históricos, eu lia todos os dias, sabia de cor as suas falas, estava realmente viciada. Hoje, quase um ano depois, sinto tanta vergonha, que nao consigo ler uma linha que ja quero fechar e rir, chorar, vomitar, de tanta vergonha. Como eu pude ser tão ridícula e imbecil, alguém entende? Como eu um dia pude pensar que estava fazendo as coisas certas. Ao meu favor, digo que sou racional e inteligente, mas eu não estava pensando direito, a gente quando apaixona fica meio burra ne?! Eu juro, tudo que eu queria era esquecer tudo isso, apagar, passar uma borracha, esquecer cada detalhe, cada palavra, cada momento, cada dia. O problema que encontro é que para esquecer tudo isso, vou ter que te esquecer e eu ainda não estou pronta para viver no meu mundo sem você.
Quando eu ainda estava moca algum pressentimento me trazia volta e meia por aqui, a espera do garoto que naquele tempo andava longe, muito longe de existir. Tantos tristes fados eu compus, quanto choro em vão, bolero blues. Eis que do nada ele aparece, já tão desejado que não cabe em si, neste crucial momento, se ele olhar para trás é bem capaz de num lamento acudir ao meu olhar mendigo. Mas aquele ingrato corre e quando já não mais garoto der a meia-volta, claro que não vou estar mais nem aí.
Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.
sábado, 26 de julho de 2014
Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.