Constantemente me abstenho do tema religião, contrariando quem vê em mim alguém completamente culta e inteligente, hoje revelo que me abstenho apenas por preguiça. Entendam, eu realmente acredito em Deus, mas não sou uma pessoa guiada cegamente pela fé, muito menos sou guiada por ensinamentos biblicos, eu preciso constantemente de algo a mais, de algo além. Eu preciso saber em que estou acreditando, preciso de sinais que não estou sozinha, preciso de ter minhas orações ouvidas, preciso de ler e entender no que estou me metendo. Acredito em um Deus superior, acredito que ele seja a expressão máxima de amor ao proximo e se o meu Deus é amor, não posso participar de uma religião que condena os gays, isso seria ir contra a tudo aquilo que acredito em meu coração. Eu sou negra, de uma familia de negros e com que moral posso dizer se uma pessoa é ou não inferior a mim? Se de acordo com milhares de anos e história, a minha raça é a inferior, não é a minha conta bancaria, inteligencia, cultura ou coração que conta se sou ou não alguém inferior ou superior (como se isso existisse) e sim a cor da minha pele. Não posso ser representada por nenhum religião, simplesmente porque não existe nenhuma que acopla o que acredito. Porque eu não consigo desacreditar de nenhuma, acho mesmo que o catolicismo pode ter algo de bom, assim como o judaísmo, espiritismo, evangelismo, budisto e até mesmo o candomblé. Existem milhares de religiões do mundo, como posso dizer que apenas uma esta certa ou errada? Como dizer que só uma salva e a outra condena? E mais, como pode existir salvação para uma pessoa que só faz o que de fato sabemos que é certo, por medo de punição? Que lixo seria os seres humanos, se eles só fizessem o certo com medo de irem para o inferno? Acredito muito mais na razão, do que na religião. O que mais tenho visto é pessoas levantarem a mão para rezar, mas abaixar para ajudar ao proximo, as pessoas matam e se matam com o respaldo de uma religião, acreditam que estão fazendo o certo. Será que ninguém perceber que matar uma galinha que seja em nome de Deus é fazer de Deus um assassino? Eu acredito no Deus que criou o mundo, que rege o ceu e a Terra, só não acredito no Deus que as pessoas tem criado, Deus que pune, que mata, que não perdoa, que se vinga. Deus na minha concepção é o manifesto natural e imenso de coisas boas, se alguém é ateu, mas tem bom coração, ama o próximo e se preocupa com o bem dos outros, como pode existir algum religião ou um Deus que não o ama? Não faz sentido na minha cabeça e pretendo que jamais o faça. Não preciso de 10 mandamentos sagrados para saber que não devo roubar ou matar (embora atualmente eu ande cobiçando o homem alheio), não preciso ler em um livro que devo amar ao proximo ou rezar para quem me odeia, esse tipo de coisa faço por causa da minha índole, por causa do tipo de pessoa que eu sou. No final das contas, a minha religião é o amor, é o bem, a paz, o abraço, pouco me importa a maneira que alguem sente prazer, desde que seja com consentimento de ambas as partes, pouco me importa se você vê espiritos ou reza para o seu santo protetor, eu realmente não me importo com o que você faz com a sua vida, desde que respeite o proximo, desde que não roube de ninguém o direito de ser livre e feliz. Entre tanta desgraça no mundo, acha que vou me preocupar se fulano tem dado pra fulano? se Ciclana curte outra ciclana? Deixe as pessoas se amarem, deixa o amor vencer o mal e todas as desgraças dessa vida. Se me perguntarem de religião, receio que a minha resposta sera clara, não tenho nenhuma. Não prego ou desacredito de nada, acredito apenas em Deus e na minha razão para me guiar pelo caminho certo, acredito apenas no amor e no bem, o resto não faz para mim diferença. Se perguntarem a minha religião, a minha resposta é que ela é apenas entre eu e Deus, se alguém mais entrar, eu estou fora.
Quando eu ainda estava moca algum pressentimento me trazia volta e meia por aqui, a espera do garoto que naquele tempo andava longe, muito longe de existir. Tantos tristes fados eu compus, quanto choro em vão, bolero blues. Eis que do nada ele aparece, já tão desejado que não cabe em si, neste crucial momento, se ele olhar para trás é bem capaz de num lamento acudir ao meu olhar mendigo. Mas aquele ingrato corre e quando já não mais garoto der a meia-volta, claro que não vou estar mais nem aí.
Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.