Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.

domingo, 18 de março de 2012

Veja bem, meu bem.

“E o que fazer pra prolongar tua chegada? Pois um beijo não me bastaria, um abraço ainda seria pouco, passar do crepúsculo à alvorada mergulhada nos teus olhos, deitada ao teu lado na cama ainda me pareceria tempo curto demais. Tento dizer que o queria muito, mas é além disso. É mais intenso que só querer, é mais desesperado, mais necessitado. Qualquer espaço de tempo que não fosse a eternidade, seria como oferecer 100 gramas de presunto à um leão que passara três dias no deserto. Entende o quanto é tanto? É querer em demasia e não faz o menor sentido. E o que eu faço enfim, para prolongar tua estadia? Te ofereço mais um café, biscoitos talvez? Uma taça de vinho, uma boa música, um silêncio inteiro olhando pela janela, dividir dois ou três cigarros… te pedir mais um beijo e sussurrar num sopro morno caminhando entre tua nuca e orelha e acordando teus pelos: “fica?”…”

Veja bem amor, arrumei alguém que se chama saudade.

Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.