Quando eu ainda estava moca algum pressentimento me trazia volta e meia por aqui, a espera do garoto que naquele tempo andava longe, muito longe de existir. Tantos tristes fados eu compus, quanto choro em vão, bolero blues. Eis que do nada ele aparece, já tão desejado que não cabe em si, neste crucial momento, se ele olhar para trás é bem capaz de num lamento acudir ao meu olhar mendigo. Mas aquele ingrato corre e quando já não mais garoto der a meia-volta, claro que não vou estar mais nem aí.
Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.
domingo, 18 de março de 2012
Seja meu amante, meu amor.
Olha, você tem todas as coisas que um dia eu sonhei pra mim. A cabeça cheia de problemas, não me importo, eu gosto mesmo assim. Tem os olhos cheios de esperança, de uma cor que mais ninguém possui. Me traz meu passado e as lembranças, coisas que eu quis ser e não fui. Olha, você vive tão distante. Muito além do que eu posso ter. E eu que sempre fui tão inconstante, te juro, meu amor, agora é pra valer. Olha, vem comigo onde eu for. Seja meu amante, meu amor. Vem seguir comigo o meu caminho e viver a vida só de amor.
Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.