É só saudade mesmo, comentaram de você comigo, li umas conversas, vou no seu bar amanha e deu saudade. Sem pretensão de ser sua amiga, namorada, esposa ou inimiga, sem pretensão nem de te ver passando de longe. Só saudade sem vergonha e vadia mesmo, saudade porque esse amor ainda vive aqui dentro e as vezes insiste em fazer barulho. Esse amor que esqueceu que não é mais amável, mas como ele esta eternizado na pele, vive achando que tem algum direito na minha vida.
Quando eu ainda estava moca algum pressentimento me trazia volta e meia por aqui, a espera do garoto que naquele tempo andava longe, muito longe de existir. Tantos tristes fados eu compus, quanto choro em vão, bolero blues. Eis que do nada ele aparece, já tão desejado que não cabe em si, neste crucial momento, se ele olhar para trás é bem capaz de num lamento acudir ao meu olhar mendigo. Mas aquele ingrato corre e quando já não mais garoto der a meia-volta, claro que não vou estar mais nem aí.
Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.