Tenho vontade de ser amigo de algumas pessoas, mas sei que amizade não é algo que se peça à alguém. Por incrível que pareça, essas pessoas não tem nada de extraordinário, quase ninguém as enxerga, elas não fazem questão de serem vistas, as vezes bato o olho e penso o quanto deve ser legal ser amigo dessas pessoas, dividir o peso do mundo que carrego nos ombros, olhar nos olhos e falar alguma banalidade aleatória. É algo intuitivo, algo espiritual. Existem aqueles que não tem nada a oferecer, e me despertam uma curiosidade profunda apenas por serem quem são, talvez eu nunca consiga explicar as entrelinhas e os porquês, mas é como se houvesse um espaço no meu coração esperando pra ser preenchido por alguém tão vazio quanto eu.
Quando eu ainda estava moca algum pressentimento me trazia volta e meia por aqui, a espera do garoto que naquele tempo andava longe, muito longe de existir. Tantos tristes fados eu compus, quanto choro em vão, bolero blues. Eis que do nada ele aparece, já tão desejado que não cabe em si, neste crucial momento, se ele olhar para trás é bem capaz de num lamento acudir ao meu olhar mendigo. Mas aquele ingrato corre e quando já não mais garoto der a meia-volta, claro que não vou estar mais nem aí.
Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.
sábado, 5 de julho de 2014
Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.