O compositor Tom Jobim, que Chico Buarque qualifica de "mestre soberano" na canção "Paratodos", rende reverência ao seu "discípulo". Sensibilizado com a homenagem, Jobim retribui com eloquência: "Para o Brasil, é uma coisa muito boa ter um Chico Buarque. Ele é um gênio da raça, depositário da cultura popular brasileira. Grande poeta, grande músico, grande letrista, grande escritor, grande tudo." "Eu nunca pretendi ser mestre de ninguém. Nem formado sou. Abandonei Arquitetura no primeiro ano, Chico, no último. Nem topógrafo, como ele, posso ser." Mas Jobim não nega a ascendência sobre o compositor. "Chico bebeu em todas as fontes, Pixinguinha, Noel Rosa, Vinícius de Moraes, mas devo ter influenciado um pouquinho." "Quando escuto meus garotos, que já são esses cinquentões como Chico, Caetano e Gil, alguma coisa lembra a minha música. Para mim, essa é a nova geração. Depois, vou perdendo o referencial." O compositor recorda 11 parcerias com Chico, "alguma coisa mais para filmes, outra que eu esqueço". Uma dessas parcerias poderá ser conferida no próximo disco de Jobim, que será lançado em julho ou agosto. Chico assina a letra de "Piano na Mangueira", música de Jobim. Desta forma, a parceria funciona desde os anos 70. "Mas o Chico não precisa de mim para nada. Fui eu quem o procurou há um quarto de século para botar letra em uma música que ia concorrer no Festival Internacional de Canção", lembra. "Sou um parceiro bissexto. Chico é um homem muito ocupado, eu também. Minha relação com Chico é muito mais de amizade do que puramente musical." Jobim conta que a relação entre os Buarque de Hollanda e os Paes Leme, de quem descende, começou antes da amizade com Chico. "Meu pai e o dele já se conheciam, não sei se eram amigos, mas freqüentavam o mesmo ambiente literário."
Quando eu ainda estava moca algum pressentimento me trazia volta e meia por aqui, a espera do garoto que naquele tempo andava longe, muito longe de existir. Tantos tristes fados eu compus, quanto choro em vão, bolero blues. Eis que do nada ele aparece, já tão desejado que não cabe em si, neste crucial momento, se ele olhar para trás é bem capaz de num lamento acudir ao meu olhar mendigo. Mas aquele ingrato corre e quando já não mais garoto der a meia-volta, claro que não vou estar mais nem aí.
Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.