“Pensa em suicídio? Vá em frente, mas antes, tente fazer isso - roube chocolate no walmart, prove sorvete de tangerina, dirija à 220 km por hora em uma rodovia, grite o mais alto que puder dentro de um túnel, zere Sonic, Pacman e Super Mario, almoce com um policial, pule de bang-jump, escale uma montanha, leia trinta livros, vá ao show da sua banda favorita, faça uma tatuagem, apaixone pessoas que você não vai amar até descobrir que na brincadeira se apaixonou mesmo, aprenda a tocar um instrumento, escreva uma poesia, visite um parente distante e finja que as conversas da família te interessam, segure o ar por dois minutos sem soltar (não morra tentando essa parte), escreva seu texto favorito nas paredes do seu quarto, beba até vomitar, chore em um lugar público pra ver se alguém irá te consolar, piche uma frase de efeito em um muro, coma até não aguentar mais, ande de bicicleta sem as mãos, encoste a língua no nariz, cante no ventilador, abrace um mendigo, invoque satã com um tabuleiro de ouija e fique com o cu na mão. Depois de tentar tudo isso, faça o que achar melhor, que a vida é uma merda ninguém pode negar, mas algumas loucuras tornam tudo mais suportável.”
Quando eu ainda estava moca algum pressentimento me trazia volta e meia por aqui, a espera do garoto que naquele tempo andava longe, muito longe de existir. Tantos tristes fados eu compus, quanto choro em vão, bolero blues. Eis que do nada ele aparece, já tão desejado que não cabe em si, neste crucial momento, se ele olhar para trás é bem capaz de num lamento acudir ao meu olhar mendigo. Mas aquele ingrato corre e quando já não mais garoto der a meia-volta, claro que não vou estar mais nem aí.
Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.
domingo, 27 de abril de 2014
Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.