Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.

segunda-feira, 3 de março de 2014

"No fim das contas, também eu faço parte do comum das gentes. Também eu terei, para alguns, o pensamento adormecido. Todos nós ingerimos diariamente a nossa dose de morfina, que adormece o pensamento. Os hábitos, os vícios, os gestos reprisados, os amigos monótonos, os inimigos sem ódio autêntico, tudo adormece. Vida plena!... Quem há aí de poder declarar que vive plenamente? Todos trazemos ao pescoço a canga da monotonia, todos esperamos, sabe o diabo o quê! Sim, todos esperamos! Mais confusamente uns que outros, mas a expectativa é de todos... O comum das gentes!..."

Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.