De repente e com a minha concepção você fez de mim a garota que não era boa o bastante, inteligente ou bonita o bastante, ou digna. Eu nunca fui vista dessa maneira, porque eu não sou essa garota. E durante algum tempo além de ser vista dessa maneira pelos outros, eu comecei a me ver assim também, de alguma maneira, eu me sentia essa garota que não fui em 22 anos. Entende? Eu me sentia péssima não por voce me enxergar sim, mas por eu acreditar que de fato era assim. Você pode passar o resto da vida me odiando, me praguejando, fazendo vomito ao me ver e desejando minha morte lenta e dolorosa. Mas eu cansei, não vou mais entrar nessa, não vou me sentir brava, triste ou lamentável por mais um minuto, essa situação simplesmente já atingiu o seu limite e não posso mais perder minha vida com isso. Eu te amo, deveria ter tido isso no bar, ter gritado isso com todo o ar dos meus pulmões, eu te amo e sinto muito que você não me queira de nenhuma maneira em sua vida, teria sido lindo, se tivesse sido real. Mas não foi, e eu não vou mais me importar com você, eu não posso mais, consegue entender? Se eu te ver e não te olhar, não escrever pra você, fingir que nunca vivemos nada, não me lembrar do seu aniversário ou que você esta vivo, aceitar passar um final de semana na sua casa ou ir para a festa no final de julho, eu vou fazer apenas porque quero, sem qualquer tipo de intenção relacionada a você. Porque, para mim, de hoje em diante, você não me atravessa, não me balança, não mexe comigo ou me causa emoção. De hoje em diante, você só existe. Porque eu não me importo.
Quando eu ainda estava moca algum pressentimento me trazia volta e meia por aqui, a espera do garoto que naquele tempo andava longe, muito longe de existir. Tantos tristes fados eu compus, quanto choro em vão, bolero blues. Eis que do nada ele aparece, já tão desejado que não cabe em si, neste crucial momento, se ele olhar para trás é bem capaz de num lamento acudir ao meu olhar mendigo. Mas aquele ingrato corre e quando já não mais garoto der a meia-volta, claro que não vou estar mais nem aí.
Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.
domingo, 16 de março de 2014
Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.