“Prometi nunca mais olhar nossas conversas, pois nem coragem para apagá-las eu tive. Prometi nunca mais chorar ao escutar a nossa música. Prometi nunca mais desejar que você estivesse comigo à noite, pra dormir juntinho sabe. Prometi nunca mais querer te ligar. Prometi à mim, que nunca mais ao menos se quer pensaria em você, se você está bem, se você ainda tem o mesmo corte de cabelo, se você ainda assiste a nossa série favorita, se você ainda tem as mesmas amizades, se você ainda dá aquele sorriso bobo quando eu faço palhaçadas, se você ainda usa o mesmo perfume, se você continua fazendo seus desenhos, se você já tem outro alguém que te faça feliz. Prometi que nunca mais sentiria saudades suas. Pois é, falhei.”
Quando eu ainda estava moca algum pressentimento me trazia volta e meia por aqui, a espera do garoto que naquele tempo andava longe, muito longe de existir. Tantos tristes fados eu compus, quanto choro em vão, bolero blues. Eis que do nada ele aparece, já tão desejado que não cabe em si, neste crucial momento, se ele olhar para trás é bem capaz de num lamento acudir ao meu olhar mendigo. Mas aquele ingrato corre e quando já não mais garoto der a meia-volta, claro que não vou estar mais nem aí.
Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.