- Podemos nos ver de novo?
- Claro.
- Amanhã?
- Paciencia, Gafanhoto. - aconselhei. - Assim vai parecer ansioso demais.
- Exatamente. Foi por isso que falei "amanha". Quero ver você de novo hoje á noite. Mas estou disposto a esperar á noite toda e boa parte do dia de amanhã.
Revirei os olhos.
- Estou falando sério - ele disse
- Você nem me conhece direito. - Peguei o livro de dentro do console. - Que tal se eu ligar para você assim que acabar de ler isso?
- Mas você não sabe qual é o número do meu telefone - ele disse.
- Tenho motivos para acreditar que você anotou o número no livro.
Ele abriu aquele sorriso meio bobo.
- E você ainda diz que a gente não se conhece direito.
A culpa é das estrelas.
Quando eu ainda estava moca algum pressentimento me trazia volta e meia por aqui, a espera do garoto que naquele tempo andava longe, muito longe de existir. Tantos tristes fados eu compus, quanto choro em vão, bolero blues. Eis que do nada ele aparece, já tão desejado que não cabe em si, neste crucial momento, se ele olhar para trás é bem capaz de num lamento acudir ao meu olhar mendigo. Mas aquele ingrato corre e quando já não mais garoto der a meia-volta, claro que não vou estar mais nem aí.
Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.