Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Madalena foi pro mar e eu fiquei a ver navios.

Senti saudade. E justo eu, Madá, justo eu que disse que nunca ia sentir falta de ninguém. Justo eu! Que vivia dizendo que seguir em frente só é possível se não olhar pra trás. Mas, num rompante, veio aquela saudadezinha, aquela sensação de choro, a vontade de ter você por perto. Madalena, menina, quem diria que eu ia acabar amando esses seus olhos, essa sua mocidade. 
Naquele sofá em que te fiz mulher ainda fica a minha memória, Madá. Minha vontade de você. Quanto de nós ainda pode durar, ainda pode existir? Você sempre me cuspia um “velho” e agora, menina, eu realmente me sinto assim.
Posso ver minhas rugas, minhas feridas, meus defeitos. Sem você, Madalena, não existe perfeição ou qualquer ideia abstrata como esperança e amor. Sem você, Madá, não existe nada. Não existo eu.

Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.