Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Ah, eu encarei de frente !

Esse amor tem base no excesso, pensei. É amor ligado na presença, na comodidade, amor fundado no costume. Amor de quem não teve saida. Então eu dei uma saida. Tratei logo de deletar, esquecer todos os detalhes. E nada feito, só serviu para eu saber que não se deleta ninguém do coração, que o amor não precisa de nada para ser lembrado, simplesmente porque ele jamais sera esquecido. Coisa chata, não? Ah, mas é claro, dor de amor é com outro amor que a gente cura, não? Olha lá aquele bonitinho da sua sala, o outro bombadinho da academia, o outro engenheiro que conversa fofo, tem também aquele ali, com as mãos grandes. Nada! Nenhum deles foi capaz de me livrar durante alguns segundos desse amor, nenhum deles foi capaz de me salvar, de substituir minhas células cansadas em sentir sempre a mesma coisa. Nenhum foi capaz, nem por um segundo, de me levar para passear em outros tormentos. Ou outras alegrias. Qualquer outra coisa que não seja esse amor por você. Ai veio o pulo do gato, a ideia de um milhão de dolares. Esse amor só existe, porque é rebelde, estou tentando me livrar dele, entao ele resolveu ficar. Se eu por algum momento desse ideia para ele, o olhasse dentro dos olhos, o sentisse até o ultima gota, ele iria ir embora, o que ele quer é atenção, coitado! Se eu por um segundo parasse de o olhar de devoção, olhar de quem acha que ele é enorme e enxergasse de perto o quão pequeno e tosco ele é, eu me curaria. Não curaria? Eu respondo, não cura. Chico tinha razão, o amor nao tem saida. Drummond estava certo, o amor não tem sequer consolo. Então só pirou, olhando nos olhos dele, ouvindo suas constatações tão absurdas a respeito de tudo, só consigo sentir ainda mais amor. E quanto mais e maiores motivos para não sentir, ele e a vida me dão… Adivinhem? Sim, o amor cresce. Quanto mais motivos para esquecer, odiar, mais esse amor prova que não precisa de motivos. E cresce irresponsável, sem alimento, sem esperança e de uma burrice enorme, da minha cegueira deprimente. Mas eu não desisto fácil, esse amor é coisa de quem convive todos os dias com pessoas que são amigas do meu objetivo de adoração, esse amor é na verdade, coisa de quem odeia o curso que esta fazendo. Se eu mudasse de faculdade, perdesse contato com todos que um dia olharam para o meu adorado objeto, se eu tivesse coragem de mudar de engenharia. Ai sim, ai esse amor sumiria e eu poderia enfim ficar em paz. Vocês acham que funcionou? Merda nenhuma. Mudei de vida, perdi contatos, mudei de curso e olha quem foi o unico a não mudar, isso mesmo, o amor. Eu que tenho dificuldade para ter fé em algo que acredito que existe, me descubro com uma fé enorme nesse amor, porque ele me prova constantemente o quanto algo não palpável pode ser totalmente real. Meses depois, sem nenhum tipo de sinal. Depois de emails não respondidos, silêncio que me diz muitas coisas, depois de um sumiço enlouquecedor, depois de nunca mais ouvir a voz, depois de motivos para odiar e esquecer, depois de descobri do namoro. Ainda sinto esse amor ridiculo. Essa coisa infeliz, que parece mais algo para me enlouquecer do que com um amor de verdade. Essa coisa infernal que me vence todos os dias, todos os minutos. Quantas amizades boas eu fiz, quanta gente linda ao meu redor, quanto carinho e admiração. É bom saber que pessoas acreditam e prezam por você, é maravilhoso se sentir tão especial, todos os dias. É tanta verdade sendo esfregada nos meus olhos, tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, nem sempre boas, mas todas que colaboram para o meu crescimento. Que preciso olhar esse sentimento dentro dos olhos. Que preciso enxergar e aceitar. É isso mesmo meu querido amor, somos só nós dois. Ele se foi, nos abandonou, não temos noticias, não sabemos se esta vivo ou sendo cremado. Não sabemos onde ele vai morar, o que vai fazer, se casou, teve filhos ou virou gay. É exatamente este o ponto meu querido amor, somos só nós dois, desacreditados, ignorados e sozinhos, somos nós contra ele e contra o mundo. Ele não volta, não quer saber de nós e até mesmo deve nos odiar. Ele não vai se arrepender, não vai nos procurar, a maré não vai virar e temos que aceitar isso logo. Você venceu amor, venceu! Eu aceito que não posso ganhar e nem te mandar embora, preciso te sentir e te viver até o ultimo suspiro. Negar o que? Eu admito. Eu o amo! Isso que faz diferença, amo muito mesmo, talvez para sempre. Mas nem por isso deixo de viver a minha vida, deixo de tentar seguir enfrente e deixo de buscar a minha felicidade. Eu assumo o meu amor, mas sabe também o que eu assumo? Assumo que eu quero que ele se foda. É isso ai amor. Fodas você e fodas quem eu amo também.

Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.