Te vejo errando e isso não é pecado, exceto quando faz outra pessoa sangrar. Te vejo sonhando e isso dá medo, perdido num mundo que não dá pra entrar. Você está saindo da minha vida e parece que vai demorar. Se não souber voltar ao menos mande notícias, "Cê" acha que eu sou louca, mas tudo vai se encaixar. E não adianta nem me procurar, em outros timbres, outros risos. Eu estava aqui o tempo todo só você não viu Você tá sempre indo e vindo, tudo bem. Dessa vez eu já vesti minha armadura e mesmo que nada funcione. Eu estarei de pé, de queixo erguido. Depois você me vê vermelha e acha graça, mas eu não ficaria bem na sua estante. Só por hoje não quero mais te ver. Só por hoje não vou tomar minha dose de você. Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam (não). E essa abstinência uma hora vai passar.
Quando eu ainda estava moca algum pressentimento me trazia volta e meia por aqui, a espera do garoto que naquele tempo andava longe, muito longe de existir. Tantos tristes fados eu compus, quanto choro em vão, bolero blues. Eis que do nada ele aparece, já tão desejado que não cabe em si, neste crucial momento, se ele olhar para trás é bem capaz de num lamento acudir ao meu olhar mendigo. Mas aquele ingrato corre e quando já não mais garoto der a meia-volta, claro que não vou estar mais nem aí.
Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.
Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.