- Ele é tão lindo que eu fico com vergonha.
- Vergonha de que?
- Ele é lindo demais, lindo de tudo, até o pé do menino é bonito. Nunca vi uma coisa dessas na vida.
- E rico, né?
- O viado ainda é ricaço pra caraleo, não sei porque fui me meter nessa.
- Calma Taay, você não sabe, ele pode ter aquele defeito.
- Não sei? É o que eu mais sei a respeito dele. Para o meu desespero, o cara ainda é bruto.
- Fico feliz por você.
- Não fique, porque perfeição assim, da trabalho de mais!
Quando eu ainda estava moca algum pressentimento me trazia volta e meia por aqui, a espera do garoto que naquele tempo andava longe, muito longe de existir. Tantos tristes fados eu compus, quanto choro em vão, bolero blues. Eis que do nada ele aparece, já tão desejado que não cabe em si, neste crucial momento, se ele olhar para trás é bem capaz de num lamento acudir ao meu olhar mendigo. Mas aquele ingrato corre e quando já não mais garoto der a meia-volta, claro que não vou estar mais nem aí.
Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.