Por muitas vezes somos apenas um episódio, na temporada de contratempos das vidas alheias. Mas insistimos em nos questionar constantemente, o porquê de um alguém tão desejado ter de ser só mais um episódio da nossa. Certas pessoas não deveriam passar, não deveriam morrer, não deveriam se mudar, e nem conhecer outras pessoas. Certas pessoas deveriam ser nossas pessoas. Já que conquistaram nossas vidas, deveriam ser nossos durante todo o viver.
Quando eu ainda estava moca algum pressentimento me trazia volta e meia por aqui, a espera do garoto que naquele tempo andava longe, muito longe de existir. Tantos tristes fados eu compus, quanto choro em vão, bolero blues. Eis que do nada ele aparece, já tão desejado que não cabe em si, neste crucial momento, se ele olhar para trás é bem capaz de num lamento acudir ao meu olhar mendigo. Mas aquele ingrato corre e quando já não mais garoto der a meia-volta, claro que não vou estar mais nem aí.
Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.
Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.