"Eu posso não saber nada de amor. Eu posso não saber como trazer seu amado em três dias. Eu até posso não ter conhecimento de algum assunto que você queira discutir comigo. Eu posso não saber nada de santos, de preces, de milagres. Eu posso não ser santa (e quem disse que um dia eu quis ser?) Mas se tem uma coisa que eu sei, é quem me faz bem. Eu sei quem me acrescenta, quem me torna uma pessoa melhor a cada sorriso, a cada carinho partilhado, a cada palavra. Esses, ah! Eu sinto de longe. Deve ser porque a nossa essência se comunica. Sem que palavra alguma precise ser dita."
Quando eu ainda estava moca algum pressentimento me trazia volta e meia por aqui, a espera do garoto que naquele tempo andava longe, muito longe de existir. Tantos tristes fados eu compus, quanto choro em vão, bolero blues. Eis que do nada ele aparece, já tão desejado que não cabe em si, neste crucial momento, se ele olhar para trás é bem capaz de num lamento acudir ao meu olhar mendigo. Mas aquele ingrato corre e quando já não mais garoto der a meia-volta, claro que não vou estar mais nem aí.
Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.