Lembrei do quanto gosto de pessoas estranhas. Do quanto admiro algo quebrado, torto, despedaçado. Admiro para ter como amigo, admiro para ter como amor. Adoro uma pessoa sofrida, machucada, que precisa de carinho e de atenção. Não sei dar atenção, mas amo loucamente aqueles que a necessitam. Todos os caras meio tortos que conheci, já fui namorada. Sou assim desde sempre, meu corpo é de quem não tem mais nada. De quem tem amor, as causas perdidas. Sou de quem não tem mais nada, de quem perdeu as esperanças. Dos que precisam de conselhos, poemas e uma dose de alegria. Minto, se preciso for, para causar alegria. Me anulo, me diminuo, se eu amar, se você precisar, fico se for te fazer bem. Não sou um poço de bondade, faço apenas por gostar de pessoas tão quebradas feito eu. Por gostar de quem ao contrario de mim, tem motivos para sofrer.
Quando eu ainda estava moca algum pressentimento me trazia volta e meia por aqui, a espera do garoto que naquele tempo andava longe, muito longe de existir. Tantos tristes fados eu compus, quanto choro em vão, bolero blues. Eis que do nada ele aparece, já tão desejado que não cabe em si, neste crucial momento, se ele olhar para trás é bem capaz de num lamento acudir ao meu olhar mendigo. Mas aquele ingrato corre e quando já não mais garoto der a meia-volta, claro que não vou estar mais nem aí.
Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.