Fechou o tempo, o salão fechou, mas eu entro mesmo assim. Eu sei que fui um impostor, porém me deixe ao menos ser pela última vez o seu compositor. Quem vibrou nas minhas mãos, não vai me largar assim. Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é o meu lugar, eu vim.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo.


Eu esta triste, mais que isso, eu estava tristíssima. Estou sem estudar e isso me deixa com a sensação de que perdi o rumo da minha vida, ninguém de importante aparece para me fazer feliz um pouco, perdi muitas pessoas este ano que se passou, pessoas que eu quase cheguei a me importar. Pior que tudo, rondava um sentimento de desorientação. Aquela liberdade de não ter nenhum compromisso, falta de laços tão totais que tornam-se horríveis, e você pode então ir tanto para Botucatu quanto para Java, Budapeste ou Maputo — nada interessa. Nada te faz querer ficar, nada te faz querer ir embora. Mas, alguma coisa me fazia falta, alguma coisa não estava boa e precisava recupera-la. Não sabia o que era ou sabia e achava um absurdo admitir. Sabia só que doía, doía. Sem remédio. Rezei, pensei em acender vela, pensei em coisas do passado, fantasias, momentos, memórias. Mas existia alguma coisa ausente do passado que me atormentava, como se eu estivesse perdia de amor e de loucura. Tentei relaxar mentalizando a ideia de que algo sempre nos falta, pode ser a religião, um amor, uma pessoa, uma música, dinheiro, esperança, paz. Sentir falta faz parte, não se pode ter tudo. Entretanto, atormenta. Me perguntaram o que tinha me acontecido, como se eu tivesse sido roubada. "O que foi que aconteceu com você? Cadê todo aquele charme? A autosuficiencia? A hiperbole? O que fizeram com você?!" Não me vinha nada na cabeça, nenhuma justificativa, era como se quando ele foi embora, além de levar as minhas palavras, as minhas risadas, o meu assunto. Era como se ele tivesse levado com ele a minha alegria. Como se ele a tivesse roubado. De todas as faltas, a dele é que mais faz silêncio em mim, a ausencia dele é o que me doi e esta dor, que me dá o movimento. Este amor, é o que tem me sugado toda e é a unica dor que eu não admito doer.

Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.